O cunhado do trabalhador/a de ALCOA

O cunhado do trabalhador/a de ALCOA

O mundo esta cheio de cunhados com muita preparação mas com poucas luzes. Como bons cunhados repetem o discurso dos problemas de ALCOA e das grandes empresas energéticas com total seguridade de conhecer como nenhuma outra pessoa as possíveis soluções. Estou a referir aos cunhados que acreditam no progresso e na modernidade por acima de qualquer dato que poda fazer acanear o mito do crescimento continuo.

Não conheço se os trabalhadores e trabalhadoras de ALCOA ouvirem falar do pico do petróleo mas do que estou seguro é que se alguma vez o “cunhadisimo” estivo numa conversa na qual saiu este tema seguro que argumentou que ainda quedava petróleo para um século ou mais e que estava seguro do que dizia  porque lhe tinha perguntado sobre o assunto a um amigo que trabalha nas oficinas de REPSOL da Corunha no departamento de nóminas e que este lhe respondeu que trás ter uma conversa com um engenheiro madrileno tive como resposta  que o  petróleo não se ia acabar nunca.

É certo que fica petróleo para 200 anos, incluso para mais, porque o petróleo não vai se consumido na sua totalidade. Nem sequer os poços dos que atualmente se extrai são esgotados na sua totalidade. É impossível tecnicamente. O que devia intentar entender o empregado/a de ALCOA, ao igual que qualquer outra pessoa, são as consequências derivadas de passar dum mundo desenhado e estruturado, nos últimos 250, na base de contar cada ano com mais energia a outro que inicia o processo inverso. Uma sociedade que se articula na base de contar cada vez com mais energia descobre que é possível fazer processos e atividades que no passado não se podiam fazer, como por exemplo sucedeu nos inícios da revolução industrial coa aparição da alta fundição; mais tarde com o uso massivo  dos carros dotados de motor de combustão interna ou a produção de alumínio a grão escala que começa a finais do século XIX. Pela contra um mundo que cada vez conta com menos energia neta vai encontrar com o colapso de processos e atividades que requerem grandes quantidades de energia. É não é só  preciso entender a mudança de passar dum mundo que se baseada no  incremento de disponibilidade energética ao inverso, senão que também é preciso entender o conceito de TRE (Taxa de Retorno Energético).

O principal problema não são os cunhados tecno-optimistas; senão que o são os governos e as instituições oficiais publicas e privadas que nos mentem com total descaro, desde os médios de comunicação, coa intenção de ganhar tempo e favorecer uma posição de vantagem para o grão capital. Um bom exemplo das mentiras e da manipulação a que nos vemos submetidos, dia trás dia, e o debate sobre o transporte individual que se provocou  nas últimas semanas desde o governo e os médios de comunicação.

A este respeito compre dizer que os atuais carros diesel são menos contaminantes que os carros de gasolina pelo que é mentira que se pretenda eliminar os carros diesel por contaminantes. A verdadeira razão para eliminar os carros diesel é o desabastecemento mundial de gasóleo. Este desabastecemento é devido a que os petróleos não convencionais não permitem em todos os casos a obtenção de gasóleo. O gasóleo  produz se, principalmente, do petróleo convencional que acadou o seu cúmio de extração no ano 2008 (69,5 Mb/dia) . Desde este ano a sua extração anoal descende a um ritmo de 2,5 Mb/dia ate o 2017 e as previsões falam de descensos de 3 Mb/dia desde o presente ano.

Sobre a proposta de permitir só a compra de carros elétricos depois do ano 2040 , para reduzir a contaminação há que dizer quatro coisas fundamentais:

Primeira: Antes do 2040 o colapso energético do mundo ocidental vai ser uma realidade que nenhuma pessoa vai negar já que a caída de extração de petróleo a nível mundial vai provocar a paralisação de todos os processos altamente dependentes da energia incluído o transporte individual. Para está data o preço energético (TRE) dum litro de combustível será tão elevada que só uma elite muito minoritária o poderá adquirir. O informe da AIE do ano 2018 já assome, em boa medida, como certa está hipótese.

Segundo: A proposta dum futuro baseado em carros elétricos e tão falsa como no seu dia o foi a ideia, hoje desbotada, dos biocombustíveis. Há menos duma década a solução à contaminação e o encarecimento da energia eram os biocombustíveis o que carreou que se instalassem plantas para a sua produçã,  mesmo em Ferrol. Quando se falava desta solução muitos peakolieres dizia mos que a TRE de produzir aceite ou álcool era 1 ou inferior e que pelo tanto a proposta carecia de percorrido algum.

Terceira: Não existem no nosso planeta os recursos de terras raras e outros elementos primários que permitam a produção de suficientes baterias para substituir os carros de combustão interna por carros de motores elétricos.

Quarta: A redução de contaminação pelo emprego de carros elétricos em vez de carros diesel, gasolina ou gás é falso, já que a eletricidade se produz case exclusivamente  (aproximadamente o 87%) com estas energias primarias e as perigosas fontes nucleares. Ao feito de que a eletricidade se produza case exclusivamente com energias primarias contaminantes somasse a perda de energia neta que se dá no processo de transformação (produção) e no de armazenar (baterias) a eletricidade. Há estudos que indicam que os processos de transformação e acumulação somam perdas de até o 50% da energia neta final disponível.

Outro dado a ter em conta a hora de falar da problemática de ALCOA  e a sua deslocalização duma  parte muito importante da produção a Arabia Saudita (o principal produtor do petróleo -energia- mundial) a princípios do presente século. Esta deslocalização tem como objetivo recortar os custes que a multinacional tem pelo pago da energia. E bom, também, saber que o preço da eletricidade que a multinacional paga no Estado Espanhol não esta só por debaixo do preço de mercado senão que  também está -com case total seguridade- por debaixo do preço de produção. De não estar por debaixo do preço de produção a multinacional há tempo que teria apostado por produzir a sua própria eletricidade já que é um dos principais consumidores deste recurso a nível estatal.

Não faz falta ser um estudado para reparar que os salários que paga ALCOA aos seus trabalhadores,  saem  na sua totalidade das arcas do estado por médio das puxas elétricas. Compre dizer  que uma tarifa elétrica galega (por muito justa que esta seja) não resolveria o problema de ALCOA, por que o problema é a deslocalização da empresa (no curto prazo) e a crise mundial -que se avezinha- das empresas fortemente dependentes da energia por mor do peak oil.

Se para a sociedade galega resulta realmente grave a perda dos postos de trabalho diretos e indiretos da multinacional ALCOA, mais grave o é para as famílias afetadas; não só pela perda do seu trabalho senão também pela falta de alternativas numa sociedade em crise permanente desde o 2008. E grave o feche de ALCOA, mas ainda vão ser mais graves as consequências laborais da destruição da maior parte dos postos de trabalho do sector industrial que se avizinha; por mor do colapso dos processos sociais e industrias altamente dependentes da energia abundante e barata.

As famílias dos trabalhadores e trabalhadoras de ALCOA vão descobrir que a crise do 2008 viu para quedar e que o colapso do capitalismo e do mundo ocidental não é como o representam no cinema de Hollywood mais que existe de verdade.

O mundo esta chamado a um novo paradigma a uma nova sociedade e o Decrescimento faz um chamamento alto, firme e tranquilo para que para  todos as pessoas articulemos um plano B de vida pessoal e coletiva que nos permita não cair na desesperação e seguir sonhando com um futuro melhor para nós e os nossos filhos.

 

Calhovre

20 de Dezembro de 2018

 

Miguel Anxo Abraira

Vozeiro Nacional de LGD

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